Manoel de Souza Barbosa foi mais um imigrante português que veio ao Brasil na busca de novas possibilidades. Foi casado duas vezes e morava com a família em Limeira, onde tinha diversas casas de aluguel e era proprietário de um armazém. O primeiro casamento se deu com a brasileira Eliza Maria de Jesus e tiveram os filhos: Galdino, João, Avelino, Lázaro e Benedita. O segundo casamento foi com Miquilina e tiveram o filho Manoel. De sua união com Eliza nasceu, no dia 21 de outubro de 1891, um de seus filhos, a qual deram o nome de Galdino, a quem passo a relatar sua história.
Galdino veio á Cascalho por motivo de trabalho. Foi padeiro. Filha de imigrantes italianos que aqui já residiam, era uma linda garota loira, de pele alva, traços suaves e grandes olhos azuis. Seu nome, Lodovica Pian. No dia 12 de outubro de 1912, através da celebração do matrimônio, Galdino recebeu Lodovica como sua esposa. Ele tinha 21 anos e ela tinha 14 anos. Nasce então, para orgulho de seus descendentes, no Bairro do Cascalho a família de Souza Barbosa!
Após o casamento, os dois foram morar na propriedade que pertencia ao casal José Pian e Thereza Nardini Pian, pais de Lodovica, juntamente com os outros integrantes da família. Com o passar do tempo, as pessoas foram se mudando da chácara e de Cascalho, e quando José e Thereza resolveram se mudar definitivamente para São Paulo, apenas o casal permaneceu na propriedade.
Homem simples, honesto e trabalhador, Galdino foi juntando suas economias, e com o tempo acabou comprando e adquirindo legalmente a posse da terra. E foi nesta terra que nasceram e foram criados todos os 14 filhos que tiveram.
Enquanto a família crescia a cada ano, Galdino e Lodovica levavam o seu dia a dia cuidando da propriedade, de onde tiravam o alimento e o dinheiro para o sustento da mesma. Com a ajuda dos filhos mais velhos, cuidavam da horta, das vacas, das galinhas e labutavam no cultivo da terra plantando café, milho, etc...
Com o tempo ele conseguiu, a muito custo, realizar um sonho e então fundou uma fábrica de vinagre e depósito de bebidas. A fabricação e distribuição eram feitas pela família e nisso contava com a ajuda da esposa e de alguns de seus filhos, e nessa empreitada, seu filho Manoel foi a pessoa mais atuante, pois foi ele quem conseguiu ampliar a fábrica. Como o produto era de ótima qualidade, não demorou muito para que o mesmo fosse conhecido na região pelo famoso “Vinagre Cascalho”. Quando mais tarde resolveu parar com a fábrica, seus filhos, Geraldo e Manoel deram continuidade ao trabalho do pai. Infelizmente anos depois a fábrica foi fechada.
Em sua vida pública, durante vários anos exerceu, no Bairro do Cascalho, a função de inspetor de quarteirão. Era um cargo não remunerado, na qual estava subordinado ao sub delegado de Cordeirópolis, mas que lhe dava autoridade para intervir e resolver pequenos problemas na comunidade. Nunca precisou levar ninguém até a delegacia, pois através de conselhos e conversas, sempre conseguia apaziguar os ânimos.
Sendo um bom homem, costumava dar hospedagem, alimento e roupa para pessoas estranhas que batiam à sua porta pedindo auxílio. Algumas dessas pessoas, quando porventura ficavam por um tempo maior, acabavam ajudando-o na propriedade.
A família, além de participar das celebrações da igreja, gostava também de ajudar nas festividades. Galdino era o responsável pela carne consumida nas festas. Ele as preparava e assava em sua casa, que depois eram levadas para o salão. Quanto aos filhos, todos eles foram criados e educados com base na formação cristã. Tendo suas atitudes como exemplo, ensinaram-os a seguir o caminho da dignidade, da honestidade. Mostraram á eles que é através do trabalho que se conquista os sonhos. E, assim como eles aprenderam através de seus pais, essa lição de vida foi aprendida e seguida por seus filhos e é passada de geração a geração.
E desse casal, Galdino de Souza Barbosa e Lodovica Pian de Souza Barbosa nasceram seus filhos e descendentes: Elisa Thereza (Líli), nascida em 12/10/1913. Casou-se com José Pagoto e tiveram os filhos Isabel, Iolanda, Ivone e Enéas. Fixaram residência em Rio Claro. José (Zeca), nascido em 25/11/1914. Exerceu a profissão de funileiro e fazia calhas. Casou-se com Angelina Feola e tiveram os filhos Maria Luiza, Ivani, Marilene e Antonio Carlos. Fixaram residência em São Paulo. Idalina (Délia), nascida em 10/07/1916. Foi catequista na igreja de Cascalho durante muito tempo. Casou-se com Francisco Zanetti e tiveram os filhos Gregório, Maria, Vergínia e Rita. Fixaram residência em São Carlos. Ana, nascida em 10/11/1918, infelizmente morreu em 24/07/1919, quando tinha apenas 08 meses de idade.
Ana, nascida em 22/04/1920. Em homenagem à irmã falecida, recebeu o mesmo nome. Casou-se com Orlando Zanetti e tiveram os filhos Maria Angelina, José e Antonio Carlos. Fixaram residência em Cordeirópolis. Antonio (Tunico), nascido em 15/03/1922. Durante anos, trabalhou no mirante da represa de Cascalho, tomando conta das bombas da caixa d`água. Direcionou seus negócios no comércio de roupas, a princípio como mascate, posteriormente abriu a Loja Barbosa que permanece em plena atividade e com muito sucesso sob o comando de seus filhos e netos. Casou-se com Angelina Peruchi e tiveram os filhos Cláudio, Dorival, Cleonice, Marlene e Valdomiro. Fixaram residência em Cordeirópolis.
Ignez, nascida em 10/03/1924. Casou-se com Ângelo Chiaradia e tiveram os filhos Geraldo, Aristides, Denir, Genézio, Bonaldo, Lourdes e Luís. Durante muitos anos permaneceram em Cascalho e posteriormente mudaram-se para Santa Gertrudes. Angelina, nascida em 27/04/1925. Casou-se com Guerino Botechia e tiveram o filho Cláudio. Fixaram residência em São Paulo. Geraldo (Ayala), nascido em 29/11/1926. Trabalhou e foi sócio na fábrica de vinagre. Casou-se com Lúcia Minatel e tiveram os filhos Odair, Nadir e José Valdemir. Permaneceram em Cascalho.
Maria, nascida em 28/06/1928, infelizmente também veio a falecer quando tinha apenas 08 meses, e isso ocorreu em 03/03/1929. Manoel (Neco), nascido em 30/12/1929. Trabalhou e foi sócio na fábrica de vinagre. Nas suas horas vagas, dedicava seu tempo na aprendizagem de barbeiro. Quando posteriormente mudou-se para Rio Claro, montou uma barbearia, onde trabalhou até se aposentar. Casou-se com Cléria Caneo e tiveram os filhos Roberto, Aparecida, Cristina e Cleusa.
Osvaldo, nascido em 15/02/1932. Conseguiu, com muito sacrifício, estudar e se formar como contador. Após muito trabalho, montou seu próprio escritório de contabilidade, onde dividia seu tempo entre as escritas e o curso de datilografia, que durante muitos anos ministrou a dezenas de alunos. Sua vida particular foi inteiramente dedicada á família. Casou-se com Luzia Apparecida Killer e tiveram os filhos Osvaldo, Maria Lúcia , Luiz, Silvana, Terezinha, Edilberto, Patrícia e Marcos. Fixaram residência em Cordeirópolis.
João, nascido em 24/10/1935. Foi caminhoneiro. Casou-se com Palmira Augusta Catai e tiveram os filhos Doraci e João. Milton, nascido em 28/07/1937. Exerceu a profissão de bancário. Casou-se com Neide Manócchio e tiveram os filhos Renato e Mônica. Fixaram residência em Osasco.
Dentre seus filhos, três se destacaram como ótimos jogadores de futebol: Manoel (Neco), com apenas 15 anos já fazia parte do time titular de Cascalho. Chegou a jogar profissionalmente no Comercial de Limeira.; Milton, também começou muito cedo e com apenas 14 anos já fazia parte do time titular de Cascalho. Jogou em vários times como: Usina São João de Araras, Internacional de Limeira, Guarani de Campinas .Com 18 anos foi convidado a jogar e a trabalhar no Banco Bradesco em São Paulo. Posteriormente teve oportunidade de ingressar no Corinthians pelo qual jogou profissionalmente durante 02 anos; Geraldo (Ayala): foi, sem dúvida, o melhor dos três. Era um jogador de grande reflexo e jogo rápido.
Também jogou profissionalmente no Comercial de Limeira. Sendo convidado para jogar na Portuguesa Santista, acabou indo para Santos, porém por saudade da família, não resistiu por muito tempo e então retornou a Cascalho. Em homenagem ao grande jogador que foi, o estádio de futebol de Cascalho leva o seu nome. Todos os três fizeram parte da equipe do Cascalho Futebol Clube onde eram considerados os craques do time. Muitos campeonatos foram ganhos com a ajuda deles.O Padre Luiz Stefanello foi um dos maiores incentivadores. Foi ele quem deu a primeira bola de futebol que tiveram. Até então, suas brincadeiras eram feitas com meia velha cheia de palha de milho, laranja ou qualquer outra coisa que servisse como bola.
Da união de Galdino e Lodovica realizada em 1912, estima-se que o número de descendentes até o ano de 2005 seja em torno de 130 pessoas.