A história da Família Campo Dall’Orto é a trajetória de milhares de imigrantes italianos que chegaram no Brasil no final do século XIX. Os Campo Dall’Orto, conhecidos na Itália como “Vaccher” são provenientes do Vêneto (Norte da Itália), da província de Treviso, mais especificamente de Carpesica, Scomigo, Ogliano e San Fior de Sotto, pertencentes ao Distrito de Conegliano.

Os antecedentes mais remotos que localizamos foram: Giovanni Battista, 1720, casado com Francesca Durighel, e seu filho Donato, de 27 de junho de 1742, ambos de Carpesica; o filho de Donato, Giovanni, de 1785, de Scomigo, que casou-se com Ângela Cin, de 1784, casados em Carpesica em 29 de outubro de 1809. O filho de Giovanni e Ângela Cin, Luiggi foi o 1º Campo Dall’Orto a chegar ao Brasil, com 76 anos. Luiggi nasceu em 13 de abril de 1812, em Carpesica. Era irmão de Donato (1815), de Giuseppe (1820) e de Antonio (1824), que ficaram na Itália. Luiggi casou-se em Carpesica em 30 de abril de 1834 com Ângela Maset, nascida em 20 de junho de1814, em Carpesica, filha de Giacomo Maset e Lúcia Casetta. Luiggi faleceu na Fazenda Santa Tereza em 1889, e Ângela faleceu em Cascalho em 14 de fevereiro de 1903. Luiggi e Ângela tiveram 7(sete) filhos, dos quais apenas 2(dois) vieram com eles para o Brasil: Giovanni Battista de Scomigo (26/07/1843) e Giacomo, de Ogliano (12/02/1849). Giovanni veio casado com Catherina Piccoli (10/01/1850, filha de Pietro Piccoli), e Giacomo veio casado com Maria Luigia Gaiot(filha de Luigi Gaiot e Maria Dal Pos). Em Cascalho faleceram Giovanni a 18 de setembro de 1909 e Giacomo a 22 de julho de 1916.

Toda a família partiu de Gênova em 18 de dezembro de 1888 no vapor “Carlo R” rumo ao Brasil, deixando a pátria, parentes e amigos, séculos de uma cultura social e familiar bem estruturada, rumo ao incógnito com coragem e uma vontade incrível de vencer. Vieram juntas, no mesmo Vapor, as famílias de Giuseppe Della Coletta, Antonio Rosolen e Domenico Ortolan, que residiram em Cascalho. Chegaram ao Brasil no Porto de Santos, em 12 de janeiro de 1889, sendo Luigi responsável pela família, e que além da esposa Ângela Maset, filhos e noras já citados, vinha acompanhado pelos netos: Ângela (13 anos), Ângelo (8 anos), Rosa (6 anos), Augusta (2 anos), Vittoria (meses) estes filhos de Giovanni e Catherina; Maria (3 anos) e Vittorio (meses) filhos de Giacomo e Maria Luigia Gaiot.

Do Porto de Santos, foram contratados como colonos para a Fazenda Santa Tereza, onde morreram em 1889, em poucos meses, 5(cinco) pessoas da família, inclusive Luigi, por razões diversas. Após um ano de Brasil, transferiram-se para a Fazenda Laranja Azeda, em Rio Claro, onde nasceu o último filho de Giovanni e Catherina, Luiz, em 02 de junho de 1890. Esta fazenda, na época, pertencia a Baronesa de Itapetininga, irmã de Antonio Bento.

Em 1893, as famílias de Giovanni e Giacomo compraram 5(cinco) alqueires de terra no Núcleo Colonial Cascalho. Após “estágios” como colonos nas fazendas de Limeira e Rio Claro, onde puderam se aclimatar e adaptarem-se ao novo país, tendo mais familiaridade com os costumes e a Língua, resolveram se tornar pequenos proprietários. Como pequenos proprietários, segundo a tradição italiana, não se limitaram a produzir café, mas também produziam milho para utilizar na criação de galinhas e porcos, e por extensão, na produção de ovos e banha, e para sustentar os familiares com a polenta.

Maria Luigia faleceu após a chegada ao Brasil, e desde então Giácomo sempre morou com seu irmão Giovanni e sua cunhada Catherina, até o casamento de sua filha Maria (Marieta, de San Fior, Itália - 1886) com Alexandre “Pin” Celotti (1883), filho de Antonio Celotti e Maria Marchioni. Marieta e Alexandre tiveram 4(quatro) filhos: Luiza (casou com Manoel Ferreira dos Santos), Ângela(casou com Luiz De Quintal), Antônio(casou com Maria Tomazella), e Luiz(casou com Maria Della Coletta). Em Cascalho faleceram Marieta aos 06(seis) de outubro de 1934 e Alexandre aos 11(onze) de outubro de 1944.

Ângelo Campo Dall’Orto (San Fior, 10/01/1880), filho de Giovanni e Catherina, casou-se em Cascalho em 20 de abril de 1901, com Cândida Rosolen (03/05/1880), filha de Antonio Rosolen e Regina Pavan. Em Cascalho, seu filho caçula, Luiz casou-se com Maria Hübner em 1911. Catherina, Luiz e Maria faleceram em Nova Veneza. Em 1908, os irmãos Ângelo e Luiz compraram de Alonso Costa Carvalho a Fazenda Santo Antônio da Água Branca(25), em sociedade com Carlos Tomazella, Luiz Della Coletta, e a Família Hübner.

Em 1917, Ângelo e Luiz permutaram suas partes societárias no “Costa” com a metade das terras da propriedade de Carlos Tomazella no Núcleo Colonial Nova Veneza, de nome Fazenda “Pindahuba”, que corresponde hoje ao “Jardim Dall’Orto”. Ainda em 1917, Ângelo e Luiz, com suas famílias mudaram-se de Cascalho para “Nova Veneza”, onde se dedicaram à agropecuária e pequena indústria com máquina de beneficiar café e arroz, moinho de fubá, e olaria. Em 1920 quitaram a dívida contraída com José de Oliveira, sócio de Carlos Tomazella em Nova Veneza. Em Nova Veneza, Ângelo e Luiz formaram com seus filhos e vizinhos uma Banda de Música, que necessitou, com freqüencia, das aulas de música do regente da Banda de Cascalho, “Beppe” Della Coletta.

Ângelo queria ter os amigos por perto, para isso sempre que sabia de uma propriedade à venda avisava os amigos e “compadres” de Cascalho para adquirirem, e logo estes residiram nas proximidades de Nova Veneza. Vieram: Paulo Sonego, José De Nadai, Alberto Booro, Antonio Tomazin, Domingos e Antonio Ortolan, Atílio Botecchia, Antonio Comine, João Nardini, Antonio Bassan, Tibúrcio de Oliveira e outros.

Em Nova Veneza, Ângelo faleceu aos 03(três) de maio de 1949 e Cândida faleceu aos 06(seis) de maio de 1966. Tiveram 10(dez) filhos, sendo 8(oito) em Cascalho e 2(dois) em Nova Veneza: Regina (casada com Ricardo Pasquetto), João (casado com Eléa Della Coletta), Antonio (casado com Dicildes Garlipp), Luiz (casado com Virgínia Viel), Jacob (casado com Iria Squarizzi), Vittorio (casado com Tereza Consulin), Padre Paulo(Estiguimatino), José (casado com Antônia Leite do Amaral), Pedro (casado com Marina Tognetta) e Anna (casada com Ricardo Breda). Luiz e Maria Hübner tiveram 4(quatro) filhos, em Cascalho e Nova Veneza: Elisa (casada com Vicente Garbelini), João Sebastião (casado com Maria Ortolan), Arnaldo (casado com Antonia Fiorin) e Olga (casada com Otávio Moretto).