A família Celotti saiu da Aldeia de San Fior, região de Treviso - Itália em 18.12.1888, partindo do Porto de Genova, no Vapor “CARLOS R”, em busca da América, com sonhos de melhores condições de vida, sem noção das dificuldades que enfrentariam. Deixaram para trás, séculos de cultura social e religiosa, casa, parentes, amigos, e, um país que era o berço da civilização, partindo rumo ao desconhecido. Foram quase trinta dias de viagem em meio a precárias condições de higiene, alimentação e saúde. Passaram o Natal e passagem do Ano Novo em alto mar, sustentados apenas pela esperança e calor de seus conterrâneos.

Conforme Certidão de Desembarque, chegaram ao Brasil em 12.01.1889. Tinha a família como responsável, com 64 anos de idade, Alessandro Celotti. Este vinha com sua esposa Ângela (56), seu filho Antonio (32), a nora Maria Marchini (31), e três netos Luiza (08), Alexandre (06) e Giuseppe (03). Da hospedaria do Imigrante em São Paulo, foram para Cascalho, na Fazenda Santa Tereza, trabalhar na lavoura do café. Muitas foram as dificuldades de adaptação: moradia precária, dificuldade com a língua portuguesa, trabalho mal remunerado, alimentação escassa, clima quente, doenças e falta de assistência médica, levando a morte o patriarca da família Alessandro e seu neto Giuseppe, já na chegada ao Brasil.

Mais tarde, no ano de 1893, a Sra Ângela Celotti e sua família, adquiriram terras no Núcleo Colonial de Cascalho, e como pequenos proprietários segundo a tradição italiana, não se limitaram apenas a produzir café, mas dedicaram-se a policultura, tirando da terra o necessário para o sustento da família. A produção excedente era vendida, e na mercearia comprado apenas o querosene para as lamparinas, trigo, açúcar e sal.

Dos três netos de Alessandro e Ângela, Giiuseppe faleceu ainda criança, Luiza casou-se com Pedro Zanetti, e tiveram um filho, Jose (seus descendentes residem em São Carlos). Alexandre casou-se com Maria Campo Dall’Orto e tiveram os filhos Luiza casada com Manoel Ferreira e tiveram os filhos Aide, Aparecida, Gumercindo e Bernardino (Dino); Angelina casada com Luiz de Quintal e tiveram os filhos Maria, Laura, Adelina, Vivaldo e Luiza; Luiz casado com Maria Della Coleta e tiveram os filhos Maria Durvalina e José Alexandre e Antonio casado com Maria Tomazela que tiveram os filhos Rosa, Geraldo, Osvaldo, José, Luiz, Maria Zuleika, Cláudio e Maria Zoraide. Hoje grande parte de seus descendentes residem ainda em Cascalho e Cordeirópolis.

O fio condutor que une os antepassados às novas gerações da família em meio as diversidades dos tempos é a busca da superação da sobrevivência, marcadas muitas vezes pelas doenças, luto e dificuldades financeiras, mas sempre esperançosos. A maior herança deixada foi a religião, uma fé em Deus e Nossa Senhora, tornando seus descendentes atuantes na igreja ,perpetuando o exemplo de amor e dignidade para as gerações futuras.