Na Itália, Vicente Demarchi e sua esposa Hortência conversavam muito sobre a falta de perspectivas para seus filhos. Eram lavradores na pequena aldeia de Zero Branco, região de Veneza, e não viam futuro para as duas crianças que cresciam na zona rural. Hortência era madrasta, pois Vicente casara em segundas núpcias. Isso, porém, não tinha importância, pois ela aprendera a tratar como seus os rebentos do marido. Ambos ouviam falar sempre de um país localizado do outro lado do Atlântico, onde poderiam chegar como imigrantes. Informados de que o governo os ajudava nas passagens do navio, decidiram encher o baú com seus poucos pertences e tentar a sorte naquela terra distante. Durante o dia enfrentavam o sol sobre o tombadilho, rezando para que o tempo passasse depressa e a noite desciam para os porões e procuravam se acomodar da melhor maneira possível.
Ao fim de muitos dias no mar, chegaram no Brasil em 30 de abril de 1895. No Porto de Santos desembarcaram onde funcionários governamentais os aguardavam para a triagem e encaminhamento ao seu novo lar. Além do casal, chegaram os filhos: Domingas (4 anos) e Antonio (7 anos), que não se sabe por qual motivo passou a vida toda sendo chamado de Armando.
Do porto foram colocados em um trem, seguindo até a Estação de Cordeiro. Depois de uma breve passagem pela cidade, seguiram até Rio Claro, onde as fazendas de café os esperavam. Começaram a trabalhar como colonos na Fazenda dos irmãos Barbosa – mais tarde conhecida como Fazenda Santana ou dos Padres -, no alto da “serra de Corumbataí”. Em seguida mudaram-se para a Fazenda Pindorama onde, em 1910, Antônio (Armando) se casou com Ana Tomazella, cuja família vivia no Bairro Rural de Jacutinga, município de Rio Claro,SP. Desta união surgiu uma numerosa prole, começando por Francisco, nascido em 1911. Os próximos foram João (falecido em 1920), Isidoro, Frederico, Rosa, Geralda, José, Maria, Vicente, Aparecida e Lourdes.
Da Fazenda Pindorama foram à propriedade de Antonio Naclério, no Bairro de Jacutinga. Mais tarde, transferiram-se para o sítio dos irmãos Sartori, no Bairro São Bento, e para o sítio de Henrique Wehenkel, no Bairro Batovi, município de Rio Claro, onde acabaram mudando-se para a olaria dos irmãos Mazzini. Finalmente em 1929 a família passou a trabalhar na cerâmica Bianchini & Quilici, em Rio Claro.
Em Rio Claro, Hortência faleceu em 20(vinte) de janeiro de 1927, e o “nono” Vicente faleceu em 1(um) de novembro de 1935, e Antonio (Armando) e Ana viviam no casarão dos Bianchini, trabalhando com os filhos na olaria que funcionava onde atualmente é o “Cemitério das Palmeiras”, em Rio Claro. Aqueles que iam se casando moravam com os pais até encontrarem seus próprios caminhos. Dessa descendência, surgiram numerosas ramificações distribuídas em cidades como Rio Claro, Santa Gertrudes, Jundiaí, Campinas, São José dos Campos, Ribeirão Preto, Santo André, Sorocaba, Goiânia, Curitiba, São Paulo, Casa Branca e Salvador, entre outras.
A partir dos laços que uniram Antonio (Armando) e Ana, nasceram além de seus 11(onze) filhos, cerca de 70 netos, 150 bisnetos e 50 trinetos, todos cidadãos dignos e que se preocupam em honrar a memória dos primeiros Demarchi a chegarem no Brasil cerca de 110 anos atrás. Ao contrário dos pioneiros, poucos deles se dedicaram à lavoura. Há na família um padre. Todos possuem, no entanto, um traço em comum, herdado do patriarca italiano: o amor ao próximo e a gratidão a Deus por todas as bênçãos que se têm recebido.