“Auch wenn einer stirbt kommen noch Briefe für ihn” (mesmo quando alguém morre ainda chegam cartas para ele, “Historischer Prozess”, Hans M. Enzensberger).
A Família possui escritas em alemão, duas cartas de Cascalho para familiares do Distrito de Kukan, na cidade de Gablonz an der Neisse, Bohêmia (atual Kokonín, Jablonec nad Nisou, Rep. Tcheca), e uma carta, escrita pelo irmão de Maria Nosswitz, da cidade de Gablonz para Cascalho. A Boêmia era território do Império Austro-Húngaro, criado em 25 de dezembro de 1867. Eram Católicos e exerciam o ofício de joalheiros.
Chegaram a Cascalho em 01 de dezembro de 1885 (na carta: “... mudamos outra vez...”) e observam, após dois anos, que as condições parecem favoráveis e expõem a motivação de estar no Cascalho (“... o pai não quis mais ficar na colônia de café...”). Residiram, anteriormente, no município de Pirassununga, SP, no Núcleo Agrícola de “Cachoeirinha”(próximo a Santa Cruz da Conceição, SP), onde havia colonos germânicos, e talvez ainda em Santa Cruz das Palmeiras, pois sabemos que familiares moraram nesta cidade.
Como a Família não teve as despesas subvencionadas pelo Governo Imperial, o registro do desembarque no Brasil de Josef Hübner (13/9/1842 - 08/8/1912, filho de Anton e Bárbara Günther Hübner), acompanhado de sua esposa, a professora primária que gostava de ler, Maria Nosswitz Hübner (26/6/1845 - 16/11/1917), e dos filhos Josef (25/4/1869 ou 1870 - 13/4/1925), Carolina (Magdalena para a família, mais ou menos 1871), Romann (26/4/1873 - 08/3/1968 em Torrinha,SP) e Julie (02/4/1876 - 22/11/1958 em Araras,SP) dificilmente será encontrado. No entanto, o desembarque ocorreu antes de 20/04/1879, data do Batizado, na cidade de Santa Cruz da Conceição, da filha Sophia (09/4/1879-07/5/1915). Romann dizia ter imigrado com quatro anos de idade.
Jablonec (Gablonz) é conhecida pelos fábricas de cristal, porcelana, e confecção de objetos de vidros, no Sudeto Alemão. Na Antiguidade a região fora habitada por celtas, germanos (segundo relato de Tácito) e eslavos. Os primeiros registros da cidade são de 1356. Em 1469 houve completa destruição pelo exército da Lusácia (Lausitz). Em 1547 houve novos assentamentos com artesãos especialistas em jóias. Em 1643, na Guerra dos Trinta Anos, a cidade foi destruída. Em 1808, foi concedido o direito de ter mercado e em 1866 o status de cidade. Em 1870-1, devido a Guerra Austro-Prussiana, os negócios de jóias e cristais foram prejudicados, havendo dificuldades locais. Em 1918, após a desunião do Império Austro-Húngaro, a Boêmia foi palco da luta entre a população alemã e tcheca, sendo que a tcheca estabeleceu primazia. O visitante de Kokonín não deve deixar de conhecer o Cemitério do bairro e constatar que os sepultamentos de nossos parentes ainda estão lá!
Franz Hübner (1860) desembarcou em 18 de dezembro de 1888, no Porto do Rio de Janeiro, com a esposa Anna (1870) e o filho Franz de um ano de idade e chegou a Cascalho a 21 de dezembro. Franz seria sobrinho de Josef (pai) e foi testemunha em 28 de maio de 1892 do matrimônio de Carolina, e em seguida se retirou de Cascalho tendo ficado ou não no Brasil.
O irmão de Josef (pai), Heinrich Hübner (1854 - 10/12/910 em Cascalho), desembarcou em 25/03/890, no Porto do Rio de Janeiro, com destino a Cascalho, trazendo sua esposa Paulina (1867), os filhos Anna de 13 anos, Ottomar de 10 anos e Hugo de um ano. Após o falecimento de Heinrich, Paulina (enfermeira-parteira na Áustria), acompanhada dos filhos, deixou a Fazenda “do Costa” e foi para uma cidade maior exercer a profissão em um Hospital.
O Heinrich, ou o Franz, trouxe as cartas que partiram de Cascalho, para facilitar seu deslocamento no Brasil. A carta de 30 de novembro de 1887, escrita por Josef (o filho), informa a localização de Cascalho, o solo e as facilidades de acesso, a quantidade de terras adquiridas, a situação do primeiro ano e que se estabelecem no Núcleo construindo uma casa no próprio lote e plantando 3000 mudas de videira. Nesta carta se lê “... como o senhor já sabe ...”, indicando que se correspondiam, e “ ... De nossos conhecidos ...”, indicando que mantinham vínculo com outras famílias oriundas da mesma região. Noutra carta, após a assinatura de Josef(o filho), há o destinatário “Adolf Hübner, Kukan 41, próximo a Gablonz, Bohêmia”.
Em 07 de janeiro de 1886, a Família tomou posse do lote 42-rural, e em 14 de julho de 1886 foi alterada a sua divisa do lote, e Josef (o pai) assinou uma Declaração em que aceitou pagar a diferença encontrada em função da “alteração projetada”. Até setembro de 1886, foram produzidos 800 litros de Arroz, 1500 litros de feijão, 14400 litros de milho, 750 litros de batata, 2500 litros de mandioca, e cinco abóboras. Em 24 de fevereiro de 1887, Josef (pai), recebeu o Título Provisório do lote 45-rural (antigo 42), tendo ocorrido os seus pagamentos em 28/02/1889, 25/02/1890, e 28/10/1890.
Josef(filho) recebeu em 24 de fevereiro de 1887 o Título Definitivo do lote 46-rural (antigo 47). Ele era músico e tocava Harpa, e casou-se em 13 de dezembro de 1890, com a italiana Lúcia Dalla Coletta (28/12/1871 - 11/11/1970), residente no lote vizinho. Josef(filho) faleceu vítima de hemorragia após cirurgia para eliminação de cálculo renal no Hospital “Doutor Rinaldi” de Rio Claro.
Em 1905 e dentro da área de cinco alqueires destinada ao cultivo, a Família produziu: 3800 litros de Arroz em dois alqueires, 6000 litros de milho em um alqueire, e 5000 pés de café em dois alqueires. Tinham ainda as áreas de quatro alqueires e meio utilizada para pastagem, dois alqueires de capoeira, e um alqueire e meio de mata; também possuíam três cavalos, mais onze bezerros e quatro vacas de leite que produziram 720 litros. Nas terras da Família, trabalhavam sete pessoas que eram consideradas brasileiras (ver Proclamação da República) mais seis estrangeiras (os familiares de Franz e Heinrich imigraram após a República).
Carolina casou-se em 25 de maio de 1892 com Josef Hüllebrand, imigrante dos Sudetos e residente em Cascalho. Julie casou-se com Luís Büttner, oriundo de Brusque(SC) e foram residir em Araras, SP. Sophia casou-se em 29 de novembro de 1902, com José A. Dalla Coletta (Maestro “Caçarola”, da Banda de Cascalho).
Romann (chamado de Raymundo) casou-se em 07 de julho de 1895 com a italiana Ângela Dalla Coletta e tiveram os filhos: José, Romano, Francisco Luís(“Lico”), Luiza, Emma, Maria, Carolina, e Paulina.
Em 1908, a Família vendeu o Sítio Varjão das Peróbas (os lotes onde residiam) e adquiriu 90 alqueires do total de 190 alqueires da Fazenda Santo Antônio da Água Branca (a “do Costa”, designada assim por ter tido um proprietário de nome Alonso Costa). Formaram uma sociedade com as Famílias Tomazella, Campo Dall’Orto, e Dalla Coletta.
Romman, em 1920, vendeu sua parte no “Costa” e comprou a Fazenda Santa Isabel, localizada no “baixadão” da Serra entre Santa Maria da Serra e Torrinha,SP, onde comemorou Bodas de Ouro junto a seus familiares. Romman estabeleceu o ramo da Família que existe naquela região.
Os filhos de Josef foram: Alfredo (14/07/1890 - 08/05/1904 causado por tétano, em Cascalho); Maria (08/9/1891) casada com Luís Campo Dall’Orto, e foram residir em Nova Veneza, Sumaré, SP; Emílio (20/1/1895 - 23/10/1981) casado com Modesta Tonon, de Cascalho; Adolpho (“Luís”, 09/2/1896 - 20/7/1977) casado com Joanna Pagotto, de Cascalho; Laura Matilde (1918 - 20/04/1995) casada com Francisco Campos, de Campinas, e foram residir em Limeira; Regina Sofia (14/5/1898 – 14/03/2001) casada com Mário Frattini, da “Venda do Frattini” em Cordeiro, e foram residir em Campinas, SP, onde o filho Amauri foi eleito Vereador por duas vezes; Carolina(07/1/1906 – 24/04/1964) casada com Antonio Pinese, e foram residir em “Tanquinho”, Piracicaba, SP. E a partir de 1905, a sobrinha Helena Dalla Coletta, de quinze meses, se une a seus novos irmãos, a ponto de ter sido declarado na Ata de seu Matrimônio com João Campo Dall’Ortogistra o registro “...Helena Hübner, filha de Josef e Lúcia Della Coletta...”.
Após a morte do pai, Emílio vendeu sua parte na Fazenda “do Costa” e comprou parte da Fazenda Santa Isabel, de Torrinha, SP, onde residiu vizinha a seu tio Romman Hübner. Emílio vendeu a sua parte da Fazenda, e após residir em vários lugares, comprou um sítio localizado na Estrada entre Apiaí e Itaoca,SP. Faleceu em Limeira na casa de sua irmã Laura, e foi sepultado em Cascalho.
Em 1942 foi vendida a Fazenda do “Costa”, e Adolpho adquiriu um sítio nas margens da ferrovia em Cascalho que foi vendido em seguida para comprar o Sítio Shan-gri-lá, de propriedade do Dr. Alberto Sampaio Jorge, localizado ao pé do Morro Azul. Em 25 de abril de 1942, Adolpho mudou-se do “Costa” para Cordeiro com sua família e sua mãe Lúcia, e passou a pertencer ao grupo dos cidadão que requisitaram a Emancipação Política e Administrativa de Cordeiro (os Emancipalistas).
De Adolpho nasceu o filho Jacob (07/12/1920 – 18/04/1976) que fixou residência na capital paulista e seguiu carreira na Secretaria Estadual de Agricultura, foi Oficial de Gabinete do Ministro da Agricultura Ney Braga, aposentou-se como Diretor Administrativo do Instituto Biológico do Estado de São Paulo, e foi sepultado no Cemitério do Morumby em São Paulo, e seus familiares residem na Capital Paulista. O filho Oswaldo (17/08/1922), que tem os familiares de seus filhos residindo em Cordeirópolis, sendo que Donizete foi eleito Membro do primeiro Conselho Tutelar dos Direitos da Criança e do Adolescente do município. O filho Álvaro José (11/03/1925 - 20/12/2004, em Cascalho) residiu em Cordeiro e a família de seu único filho está em Limeira. E, por último, o filho Alfredo (11/05/1932) que foi morar em São Paulo, e entre 1984 e 1990 foi Coordenador do Grupo do Ensino Profissionalizante do CENP (Coordenadoria de Estudos e Normas Pedagógicas da Secretaria da Educação do Estado de São Paulo) e depois passou a residir em Serra Negra, SP, sendo que seus familiares residem nas Capitais Paulista e Brasileira.