Antônio Maronese, natural da cidade de Gorgo na Itália e viúvo de Magdalena Gasparotti, decidiu vender suas terras que ficavam ao lado de seu amigo Nono Luigi Bertagna, e então embarcou, com seus dois filhos, Luiggi Giovanni e Fosca, no Vapor “Lapitania” com destino ao Brasil e chegou ao Porto de Santos em abril de 1892.
Luiggi que nasceu no dia 15 de dezembro de 1867, estudou e serviu ao exército em Treviso, Itália. Pouco tempo depois de chegar ao Brasil, casou-se no dia 28 de maio de 1892, com Lúcia Ângela Da Roz, nascida em 1875 na cidade de Bazarieli, Itália, filha de Giuseppe Da Roz e Catharina Fardin, ,que desembarcou no Porto de Santos em 1888.
Os dois sempre residiram no sítio Santa Magdalena, que é vizinho do sítio do Nono Bertagna, assim como era na Itália, o qual tem esse nome em homenagem à mãe de Luigi. Este sítio se localiza em Cascalho, onde criaram 11(onze) filhos: José (casado com Josefina Arnoste e tiveram 6 filhos), Dusolina (casada com Antônio De Nadai e tiveram 11 filhos), Tereza (casada com José Picolini e tiveram 5 filhos), Paulina (casada com Ângelo Minatel e tiveram 5 filhos), Maria (casada com Fioravante Bortoloti e tiveram 2 filhos), Antonio (casado com Lúcia De Nadai e tiveram 6 filhos), Jacob (casado com Rosa Paiola e tiveram 7 filhos), Verino (solteiro), Helena (casada com Luiz Bertanha e tiveram 4 filhos), Justina (casada com Jacob Tomazella e tiveram 9 filhos), Henriqueta (casada com Ângelo Tomazella e tiveram 8 filhos). Seu neto Pedro também foi criado por eles, pois a sua mãe morreu durante a dieta de seu parto.
Neste sítio, Luigi construiu sua própria casa, confeccionando seus tijolos, e o seu madeiramento, sendo um ótimo pedreiro e carpinteiro. Aos poucos foi cultivando a terra, tirando dela seu sustento, que vinha dos pés de café, e que também alimentavam 14 pessoas com o arroz, o feijão, o milho e as verduras que cresciam pelo cuidado das mãos calejadas de Luigi e seus filhos e filhas, estas mesmas mãos, que Luigi fizera minuciosamente um Engenho de cana-de-açúcar, feito de madeira, e movido a tração animal, e que fornecia rapadura e açúcar mascavo para adoçar a vida da família.
Como um bom italiano, Luigi tinha a sua parreira de uva cuidada com muito zelo, e também tinha um pequeno plantio de fumo com o qual ele fazia seu próprio “fumo de corda”. Luigi e Lúcia eram pessoas de muita fé e religião, ele nunca deixava de ler a Bíblia toda noite com o auxílio de uma lamparina, e participava todos os domingos da Missa em Cascalho e Lúcia, sempre rezava o terço à noite. Trabalhava com seus filhos na Fazenda Santa Tereza e na Fazenda do Barreiro para poder juntar mais dinheiro. Com uma família grande, e o dinheiro para sustentá-la acabava sendo pouco, mas mesmo assim nunca faltou comida na mesa, comida feita pelas mãos da Lúcia, tendo sempre muita polenta, que era feita quase sempre no jantar acompanhada de almeirão e ovo, e no café da manhã, a polenta que sobrara do jantar era aquecida na brasa do fogão à lenha e eles a comiam pela manhã com leite e café. Das mãos de Lúcia também foi produzido muito queijo e macarronada, que era feita todos os domingos e servida sempre com a mesa cheia.
O tempo foi passando, mas Luigi nunca deixava de se reunir com a sua família e com a Família do Nono Bertanha, para conversar sobre suas observações da lavoura e do tempo, já que o clima no Brasil é muito diferente do da Itália, e também para rezar o terço. Mas no dia 31 de janeiro de 1950, Luigi faleceu, aos 82 anos de idade e foi sepultado no Cemitério de Cascalho, ao lado de seu grande amigo, Nono Bertanha. Lúcia continuou morando no sítio Santa Magdalena com seu filho Jacob (casado com Rosa Paiola), que também permaneceu no sítio em Cascalho toda a sua vida, sempre cuidando dos afazeres da casa e da criação, mas no dia 30 de janeiro de 1952, com 77 anos, faleceu e foi sepultada juntamente com Luigi Giovanni, seu companheiro de uma vida toda.
Os frutos da união de Jacob Maronese e Rosa Paiola, que ocorreu no dia 14 de outubro de 1933 foram: Anevaldo (casado com Maria Adelina Bertanha, e tiveram 4(quatro) filhos: Cristina, Tânia, Eduardo e Solange, que moraram no sítio por algum tempo e depois se mudaram para Campinas), Vanilde (casada com Décio Corte e tiveram 3 filhos: Dorival, Joseane e Luciana e hoje residem em Araras), Madalena (casada com Jacob Bertanha e tiveram 3 filhos: Éster, Jaqueline e Edson e residem em Bariri), Sérgio (casado com Antonia Peruchi e tiveram 1 filho, Gustavo, e hoje residem em Cordeirópolis), Zelinda (casada com Pedro Peruchi e tiveram 3 filhos: Joni Carli, Marcos Roberto e Rogério, e residem hoje em Araras), Terezinha (casada com João Ozelo e tiveram 2 filhos: Simone e Rodrigo e residem em Cordeirópolis) e João Antonio (casado com Aparecida Rita Brambilla e tiveram 3 filhos: Loiana, Maíra e João Henrique, que residem no Sítio “Santa Magdalena”).
A família Maronese deixou na história, uma lição de amor, pois sempre teve um vínculo muito forte com seus parentes, estando sempre com as “portas abertas” para receber as visitas de familiares e amigos, que deixavam a casa sempre cheia. Mas esta família também acolheu em seu seio Anália, que era filha de Fosca, irmã de Luigi, que se casou com João Moreli e foi morar em Dourados, e teve como filhos: Pedro, Maria, Lúcia, Amélia, Angelina (faleceu ainda moça), Anália, Manoel (faleceu ainda moço) e teve mais um menino que faleceu ainda bebê.
Fosca ficou viúva ainda nova, e suas filhas trabalhavam no grupo escolar como serventes, faziam crochê, costuravam, lavavam e engomavam roupa, para assim ajudarem a mãe Fosca a manter a família. Pouco tempo depois, Fosca faleceu, e assim a família se dispersou: Pedro se casou com Isaura e foi morar em Araraquara, Maria foi acolhida por uma professora em Dourados, Amélia se casou com José Varela e foi para São Paulo, e com ela levou sua irmã Lúcia que ficou solteira, e a Anália foi acolhida pela família Maronese, onde passou toda a sua juventude e velhice, e estará sempre presente na memória dos filhos de Jacob e Rosa, como uma pessoa amorosa, carinhosa e prestativa, e que esteve presente entre eles até o dia 5 de fevereiro de 1972, quando faleceu.
Neste sítio, também viveu um membro da família muito querido, Verino Maronese, que era o irmão solteiro de Jacob, ele foi sempre muito presente, que dedicou toda a sua vida para criar seus sobrinhos e os filhos destes que por aqui passaram, sendo considerado com avô pelos filhos de João Antonio e Rita, pois estes não chegaram a conhecer Jacob que faleceu em 1977, mas encontraram em Verino, todo amor e carinho de um avô.
Rosa sempre foi muito religiosa, ensinando seus filhos e netos a rezar o terço, a participar das novenas e a estar sempre presente na missa da Paróquia de Cascalho, e a esperar pela festa do dia 15 de Agosto, Nossa Senhora da Assunção, com grande entusiasmo, sendo este um grande dia não só para nós, mas para todos os membros da Paróquia.
O Sítio “Santa Magdalena”, que teve uma parte dos fundos desapropriada pelo governo para a criação do “Centro de Citricultura Sílvio Moreira”, possui 20 hectares voltados à agricultura orgânica, e está sob os cuidados de João Antonio que é filho caçula de Jacob, e sua esposa Rita.