Bairro do Cascalho - SP
A Fazenda Cascalho, convertida no Núcleo Colonial de Cascalho, o primeiro fundado pelo Governo de São Paulo, era de propriedade de José Ferraz de Campos, Barão de Cascalho, o primeiro dos plantadores de café no Oeste Paulista, por sua morte, cube em herança a seu filho, o Barão de Porto Feliz, por morte deste, herdou-a o Dr. Domingos José Nogueira Jaguaribe Filho, seu genro, de quem a comprou o Governo de São Paulo, que ao mesmo tempo fez um apelo ao vendedor para que ajudasse com dez contos de reis na fundação do primeiro núcleo colonial pelo mesmo governo visto que o Dr. Jaguaribe havia publicado um folheto sobre os núcleos coloniais do Barão de Porto Feliz, o primeiro que tratou disso em terras paulistas e tratava-se justamente de por em prática as idéias em tal publicação contidas. Lavrou-se a escritura de compra e venda no ano de 1884, pelo preço de sessenta contos de reis, desistindo o vendedor em virtude do apelo que lhes fora feito, da quantia de dez contos de reis, em favor da fundação do núcleo, tendo sido avaliadores o Marques de Três Rios, o Barão de Tathuy e o Dr. Francisco de Souza Queiroz.
O Núcleo foi assim dividido, 73 lotes rurais(média de 100.000m2), 140 lotes urbanos(média de 2,500m2) e 68 lotes suburbanos(média de 10.000 m2). Na época foi destinada uma área à igreja. Anexa à residência do Barão de Cascalho, formando com ela um só edifício, havia uma capela, onde em vida daquele titular celebravam as cerimônias do culto católico, tendo sempre à frente um capelão. Morto ele, e passando a fazenda à colônia, os colonos faziam vir padre de fora para a missa dominical". Usando-se a mesma capela, que com o tempo, devido à sua idade, desmoronou-se.
Em 1898, inauguraram a nova capela do bairro, onde hoje está a atual igreja, esta iniciada em 1916 e terminada em 1936. Os primeiros proprietários foram imigrantes nórticos: dinamarqueses, suecos e noruegueses. Estes ficaram no bairro até 1893, mas por não se adaptarem ao clima da região foram embora para Rio Claro-sp. Vieram então os italianos, na sua maioria vênetos, que fixaram morada no bairro e grande parte de seus descendentes estão nas mesmas propriedades até hoje. O bairro foi criado para abastecer de alimentos e mão de obra as grandes fazendas cafeeiras da região. E também como uma experiência de reforma agrária que deu certo. Atualmente o bairro é formado por descendentes destas famílias e por outras que vieram posteriormente.(Fotos do Bairro)
A sua característica ao longo deste século foi de uma região agrícola: produção de frutas, cereais, pequenos animais, aves, frutas e legumes. A tradição italiana foi mantida em alguns costumes alimentares apenas. Pois desde o início a população procurou inculturar-se aos costumes da região. É conhecido o fato da Associação "Italica Gens", que no início do século promovia a cultura italiana entre as colônias do estado, desejar constituir no bairro uma escola italiana e os habitantes recusaram-se porque queriam uma escola brasileira, pois estavam no Brasil e tinham que aprender a nova língua.
Hoje, a nova geração procura redescobrir suas origens através de pesquisas sobre o bairro e a região que as famílias vieram da Itália, alguns retornando mesmo a Itália para buscarem a origem de suas raizes. Em sua história o local passou por várias "diasporas", uma vez que as famílias ficaram numerosas e a terra era escassa, procuraram alternativas de trabalho em outras cidades da região e a aquisição de terras em outras regiões.
O grande momento da localidade foi a celebração do centenário da chegada das famílias ao bairro em 1993, um ano rico de celebrações e comemorações, destacando-se a gincana das famílias, quando o bairro foi dividido em 2 grupos - Vêneto e Treviso - e em três noites concorreram a provas que justamente foi o recolhimento de dados sobre a história do bairro. A celebração maior do ano, a festa da padroeira com a consagração da igreja e a solenidade de N. Sra. Da Assunção em 15 de agosto.
A exposição comemorativa do centenário onde reuniu-se grande acervo do bairro. A apresentação de uma peça teatral recriando a história. A inauguração do monumento do centenário e a elaboração de um video histórico.
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