Em 1885, a Província de São Paulo criava o Núcleo Colonial de Cascalho no município de Limeira, com o objetivo de assentamento de imigrantes europeus para a mão de obra nas fazendas de café da região de Limeira e Rio Claro. O núcleo foi elaborado a partir de um conceito urbanístico de cidade, de forma que, em seu entorno, pequenas propriedades agrícolas, com a finalidade de manter as fazendas cafeeiras e as cidades próximas, e, também, pela proximidade da estrada de ferro, enviavam para a Capital os produtos hortifrutigranjeiros, tendo em vista que, na época, as fazendas se preocupavam apenas com a monocultura do café. Um outro objetivo era oferecer a essas fazendas mão de obra sazonal para a colheita do café.
O povo de Cascalho contou com três pilares em que as pessoas se apoiavam e se apoiam ainda hoje: a Família, o Trabalho e a Religião. Sobre esses pilares, construíram suas vidas e testemunharam para as gerações futuras que, se se sustentarem neles, vencerão.
Preservação da memória histórica do bairro
O Bairro do Cascalho conseguiu, nos últimos 20 anos, resgatar sua memória histórica graças ao trabalho da Comunidade Local. O primeiro evento ocorreu com a celebração do centenário da chegada das famílias aos bairros em 1993. Nesse sentido, o Pe. Luiz C. Botteon, em pesquisa ao Arquivo Histórico do Estado de São Paulo, encontrou várias latas contendo documentos dos 20 primeiros anos do Bairro do Cascalho.
O ano centenário foi marcante pela realização da gincana entre as famílias, em que elas tinham por tarefa encontrar dados históricos e objetos das famílias. Essa foi a primeira coleta de dados importantes do Bairro. Outra iniciativa desse ano foram as tardes da história, em que se reuniam as pessoas mais antigas do bairro aos domingos à tarde para contarem o que sabiam da história do Bairro. Nesse tempo, várias famílias organizaram os Encontros de Famílias (de Nadai, Botteon, Della Coletta, Peruchi, Rosolen etc.).
Filme com a história do bairro
Como conclusão do ano do Centenário da chegada das famílias, em 1995, um grupo de jovens, com o apoio da Paróquia de Cascalho e com o incentivo do Pe. Luiz C. Botteon, escreveu um roteiro de filme sobre a História de Cascalho – um documentário da vida, dos costumes, da religião, da história, das famílias, da agricultura e do lazer desse povo.
Celebração dos 110 anos de Cascalho
Em 2003, surgiu a ideia de celebrar os 110 anos do Bairro do Cascalho. Assim, as 90 famílias que se instalaram no Bairro foram divididas em quatro grupos, organizando-se, então, os encontros de Famílias, os quais chegavam a reunir, a cada encontro, mais de 1500 pessoas, que, com antecedência, enviavam documentos, objetos e equipamentos que possuíam, para que, no dia do encontro, se fizesse uma grande exposição. Foi um ano memorável, em que pessoas que só conheciam o bairro pelo “ouvir falar” de seus avós ou pais puderam conhecer as suas raízes históricas. Nesse ano, foram recolhidos e catalogados mais de 6.000 objetos (fotos, documentos, equipamentos, roupas etc.) das famílias do Bairro do Cascalho.
Livro das famílias de Cascalho
Em 2005, foi lançado o livro Cascalho: Imigrantes de ontem, Brasileiros de hoje – Álbum Histórico dos 110 anos de Imigração das Famílias de Cascalho, que se configura em uma coletânea de documentos, relatos das famílias e fotos que resgatam a História de Cascalho. O livro foi organizado por um grupo de paroquianos da Paróquia de Cascalho, com o apoio e o patrocínio da Paróquia de Nossa Senhora da Assunção.
Dessa forma, surgiram vários livros de famílias do Bairro (Della Coletta, Batistella – livro dos homens Batistella e o livro das mulheres Batistella etc.), bem como livros científicos, nascidos de pesquisas de mestrado e doutorado, cujas teses e dissertações foram defendidas em Universidades como: USP, UNESP e Unicamp.
A Paróquia Nossa Senhora da Assunção – Bairro do Cascalho, mais conhecida como Paróquia de Cascalho, foi criada a 12 de agosto de 1914. Em 1893, as famílias italianas solicitaram ao Governador do Estado a doação e a autorização para construção de uma igreja, de uma escola e de um cemitério para o Bairro. Assim, em 1898, foi inaugurada a primeira igreja de Cascalho. Desde o seu início, a Paróquia esteve a cargo dos Missionários Scalabrinianos. Em 1914, o Pe. Luiz Stefanello iniciou a construção da nova igreja. Além disso, ele adquiriu, na Itália, a Imagem de Nossa Senhora da Assunção, para lembrar a origem das famílias e ser o consolo para tantos imigrantes que deixaram suas mães na Itália. Era assim que a protetora desse povo iniciava sua vida nestas terras brasileiras. A Paróquia de Cascalho foi, em toda a história de Cascalho, o marco de referência e o porto seguro para a população. Conservou, desde a sua origem, a organização paroquial do Veneto. A Paróquia, ontem e hoje, é, também, a referência de vida familiar, religiosa, histórica, recreativa e social das famílias do bairro. Nesses 120 anos de existência, ela teve quatro padres, os quais deram suas vidas pelo povo de Cascalho: Pe. Antonio Palatini, Pe. Luiz Stefanello, Pe. Antonio Klein e Pe. Luiz Claudemir Botteon.
Pe. Luiz Stefanello
O Pe. Luiz Stefanello é o marco referencial da formação religiosa, social, política e histórica do Bairro do Cascalho. Ele nasceu na Itália em 1878, chegando a Cascalho em 1911, para assumir a Paróquia. Permaneceu ali até fevereiro de 1953, quando, por problemas de saúde, se transferiu para Águas de Santa Bárbara – SP, vindo a falecer em 1964. Em 2001, a Paróquia de Águas de Santa Bárbara autorizou o translado de partes de seus restos mortais para Cascalho, de forma que, na exumação, foi possível encontrar todos os ossos do seu braço e da sua mão direita. Ao partir, o Pe. Luiz Stefanello disse que estaria sempre presente na vida do Bairro e intercederia a Deus para enviar sempre padres para continuarem a cuidar da paróquia. No futuro, um sacerdote da terra daria prosseguimento ao seu trabalho de cuidar da fé e da história do Bairro do Cascalho.
Festa da Padroeira de Cascalho
Desde os primórdios do Bairro, o ponto central do ano era a Festa da Padroeira, celebrada no dia 15 de agosto. Era o momento de as famílias se encontrarem, de as pessoas manifestarem sua fé, de se encontrarem para o lazer e para a diversão sadia. Até a década de 1980, a festa consistia na celebração litúrgica da solenidade de Nossa Senhora da Assunção e na quermesse realizada em dois finais de semana de agosto, com serviço de bar e de cozinha, com alguns salgados e doces. Havia, também, a roleta, o sorteio de prendas e as barracas de brincadeiras para crianças.
Com a chegada do Pe. Luiz C. Botteon, a comunidade paroquial iniciou uma nova etapa da festa, aumentando os dias da quermesse e introduzindo diversos pratos típicos da Itália e do Bairro, além de música ao vivo com excelentes bandas de música. Houve, ainda, o aprimoramento da liturgia, com a introdução da novena da padroeira, missas especiais e a inovação da Coroação de Nossa Senhora, trazendo, a cada ano, um tema da espiritualidade mariana, e atraindo atualmente milhares de pessoas que vêm a Cascalho em peregrinação religiosa para honrar a Mãe de Jesus.
Nos últimos anos, foi acrescentada a essa festa a Romaria de Cavaleiros, atraindo milhares de cavaleiros que vêm a Cascalho em peregrinação para honrar Nossa Senhora.
Igreja, Centro de Peregrinações
A Igreja de Cascalho foi e ainda é um centro de peregrinação mariana na região, atraindo, semanalmente, centenas de pessoas que passam pela Igreja para sua oração e encontro com Deus, fazendo jus à frase que está na frente da Igreja: "sister viator et ora Mariam" (viajante, pare e reze à Maria).
A chegada das famílias italianas trouxe consigo a organização social e religiosa italiana. Dessa forma, os moradores de bairro organizaram-se em associações religiosas (o Apostolado da Oração data de 1907 e funciona até hoje) e sociais para solicitarem benefícios do Estado e do Município.
Na chegada do Pe. Luiz Stefanello, ele sentiu que o povo não tinha onde se reunir, e, com medo de as pessoas saírem do bairro para o lazer e se perderem, constituiu a banda de música. Além disso, criou um grupo de teatro, que anualmente apresentava peças teatrais para a população, bem como uma associação recreativa e esportiva com vários times de futebol, com bar e lugar para o jogo de bocha.
Clube de esportes da Paróquia de Cascalho
Em 1997, a Paróquia de Cascalho, por intermédio do Pe. Luiz C. Botteon, criou o Clube de Esportes da Paróquia de Cascalho, local de lazer e de esportes para as famílias do bairro, com escolinha de esportes para crianças e jovens, torneios esportivos, campo de bocha, salão de eventos e quadras esportivas. É, portanto, o local de atividade recreativa e educativa às crianças da Escola de Cascalho.
Associação de Agricultores
Em 1998, a Paróquia de Cascalho iniciou com os agricultores a Associação de Agricultores do Bairro do Cascalho. O Pe. Luiz C. Botteon assumiu a responsabilidade da implantação dessa Associação e o encaminhamento para a constituição de uma diretoria formada de agricultores, cedendo, a partir de então, as dependências da Paróquia para reuniões, eventos, cursos etc.
Associação Trevisani nel Mondo
Em 2004, a Paróquia de Cascalho recebeu a visita do Bispo de Vitório Veneto e do Pe. Noé Tamai, também de Veneto e incentivador da Associação Trevisani nel Mondo no Brasil. Assim, em 2005, foi criada no Bairro do Cascalho a Associação Trevisani nel Mondo, Sessão Cascalho, uma associação italiana presente em inúmeros países que reúne italianos e descendentes para conservarem as tradições italianas. A Sessão de Cascalho teve o apoio da Paróquia de Cascalho. Hoje, ela cuida de um curso de italiano para moradores do bairro, promove eventos italianos, como, por exemplo, a Semana Italiana de Cascalho (todos os anos no mês de abril), conserva e promove o acervo do patrimônio histórico e cultural do Bairro e organiza viagens a Veneto na Itália para volta às origens.
Cartaz de divulgação da 95ª Festa da Padroeira de Cascalho
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Cartaz divulgação da 11ª Romaria de Cavaleiros de Cascalho
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Release da Festa para Jornais, Revistas e Internet
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